O Clima LAB é um laboratório cidadão dedicado à criação de soluções e protótipos que fortaleçam a participação cidadã e a governança climática do Plano Municipal de Ação Climática (PACS) de Santos, engajando a população a se apropriar e contribuir ativamente com sua implementação.
- Título do laboratório
Clima LAB – Fortalecendo a participação cidadã na agenda da adaptação climática de Santos - Local
Santos-SP - Ano
2025 - Tema
A participação cidadã (governança) na gestão climática do Plano de Ação Climática de Santos (PACS)
- Título do laboratório
- Modelo
LAB Relâmpago (Chamada pública, seleção de participantes e formação de grupos para prototipagem)
- Modelo
- Anfitriões
Procomum e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e sustentabilidade – SECLIMA (Prefeitura de Santos) - Parceiros
Secretaria do Meio Ambiente de Santos, Prefeitura de Santos, Unifesp, Instituto Cidade Democrática, Casa Fluminense, Coletivo 302, Decodifica, IDS, Pacto pela Democracia
- Anfitriões
Números
Sobre o Laboratório
Clima LAB: Laboratório Cidadão de Inovação e Participação Climática
O Clima LAB foi um laboratório cidadão dedicado à criação de soluções e protótipos que fortaleceram a participação cidadã e a governança climática do Plano Municipal de Ação Climática (PACS) de Santos. A iniciativa engajou a população para se apropriar e contribuir ativamente com a implementação do plano.
O evento reuniu participantes na criação de soluções para ampliação da participação e controle social (governança) do plano de adaptação climática de Santos de forma inovadora e colaborativa.
Ao longo de cinco semanas (de outubro a novembro de 2025), 15 participantes selecionados formaram equipes para criar e testar soluções reais, construindo, juntos, formas mais justas, transparentes e participativas de enfrentar a crise climática em Santos. O laboratório reuniu sociedade civil, poder público, universidades, movimentos e comunidades em rede, com diálogo, escuta e compromisso.
Não foi preciso ter uma ideia pronta para se inscrever — o mais importante era ter vontade de colaborar e disposição para participar do processo.
✨ Quem pôde participar?
Foram selecionadas 15 pessoas, que possuíam ou não uma proposta de solução, e estavam dispostas a participar de um laboratório de inovação cidadã que desenvolveu protótipos em participação cidadã para o Plano Municipal de Ação Climática de Santos (PACS).
O Laboratório
O Laboratório de Inovação Cidadã fundamentou-se em uma metodologia de inovação cidadã, que buscou enfrentar problemas por meio de tecnologias colaborativas, tendo o(a) cidadão(ã) como protagonista do processo.
A ideia de coprodução cidadã complementou a de participação cidadã, avançando de um modelo passivo, no qual o(a) cidadão(ã) era chamado(a) a falar sobre os problemas, para um ativo, no qual as próprias pessoas passaram a construir, coletivamente e na prática, as políticas e serviços públicos. Foram objetivos desta iniciativa:
- Promover a participação direta dos(as) cidadãos(ãs) nos processos de inovação no setor público.
- Mobilizar pessoas, de diferentes perfis, para criar juntas propostas de soluções, que ajudassem na adaptação e mitigação climática da cidade de Santos.
- Descrever, materializar, testar e evoluir essas propostas de solução.
- Divulgar as propostas de solução desenvolvidas para que fossem ampliadas ou adotadas por instituições públicas ou que trabalham para resolver problemas públicos.
Para isso, as pessoas participantes, reunidas em equipes, vivenciaram uma jornada de um mês desde o entendimento do problema até a apresentação das soluções desenvolvidas. O Laboratório começou com uma imersão de dois dias, na qual foi discutida a situação-problema e constituídas coletivamente propostas de solução. Para cada proposta de solução, foram configuradas equipes que atuaram ao longo de quatro semanas na prototipagem das soluções, ou seja, tirando as ideias do papel e testando com o público-alvo.
Ao longo de toda a jornada, as equipes contaram com diferentes recursos: infraestrutura, mentoria, apoio técnico e também financeiro. A equipe do Procomum esteve à disposição para eventuais suportes necessários e para apoio na comunicação das ações.
O PACS de Santos: um plano que previu governança em sua implementação
O Clima LAB adotou como tema a participação cidadã (governança) na gestão climática. O PACS é um plano pioneiro de ação climática no Brasil e colocou em marcha a implementação de estratégias, diretrizes e metas de adaptação e mitigação para fazer frente à crise climática e às vulnerabilidades socioambientais presentes no município, considerando o cenário de intensificação das mudanças climáticas apontado nos últimos estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e confirmado no Sexto Relatório de Avaliação (AR6).
O PACS foi instituído por meio de decreto municipal e, entre outros pontos para sua implementação e monitoramento, previu a participação cidadã e governança como diretriz e possuiu um arranjo de governança indicado, conforme observado nos guias abaixo:
Livro de Governança Climática Local
Guia de Governança Climática Local
Os objetivos específicos deste Laboratório foram estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras, que ajudassem a apropriar a população sobre a importância da temática, especialmente nas seguintes diretrizes do próprio plano:
- Fortalecimento da estrutura de governança municipal para a implementação do PACS – apoio à governança horizontal com maior participação de atores da sociedade e com transversalidade no contexto do governo municipal.
- Fortalecimento das agendas transversais de clima, sustentabilidade e resiliência.
- Criação de um portfólio de soluções inovadoras para adaptação e mitigação ao clima em Santos.
Propostas de solução foram ideias, desenvolvidas colaborativamente, para melhorar ou solucionar o problema, levando em consideração todo o conhecimento construído a respeito da situação-problema e seu contexto.
Cada equipe descreveu, materializou, testou e melhorou suas propostas de solução em colaboração. Isso significou gerar ideias, selecionar a ideia mais promissora e descrever detalhadamente a solução a partir dessa ideia: o que é, para que serve, quem usará, quais são os benefícios desse uso, quanto custa, dentre outros elementos. Depois disso, cada equipe criou uma versão real da solução, física ou digital, e testou com as pessoas usuárias pensadas (tirando as ideias do papel). Por fim, a partir dos resultados dos testes (O que funcionou? O que não funcionou?), a equipe fez os ajustes necessários e finalizou sua proposta de solução.
As propostas de solução puderam apresentar diversos formatos, como: serviços, protocolos, sistemas, aplicativos, tecnologias, ferramentas, projetos de design, arquitetura ou comunicação, produções audiovisuais, materiais didáticos, eventos, seminários, oficinas, dentre outros.
Foi importante que todas as propostas e seu processo de criação e desenvolvimento fossem registradas para que pudessem ser aplicadas, replicadas, modificadas e aprimoradas pela própria equipe ou outras equipes e instituições públicas ou que trabalham para resolver problemas públicos.
Considerou-se também que as propostas elaboradas durante o laboratório puderam apoiar a implementação e avanço de outras diretrizes do PACS.
Protótipos gerados
Aprendizados e desdobramentos
Principais aprendizados
O desdobramento natural da Rede pelo Clima foi a criação do Clima LAB para traduzir as escutas territoriais e reflexões em ação, experimentação prática e soluções colaborativas.
A concepção do Clima LAB baseia-se nos aprendizados do CLIC (Colaboratório de Inovação Cidadã, consolidando uma metodologia adaptada à agenda climática local, que pode ser replicada em diferentes situações e contextos. A metodologia está disponível no repositório da ENAP.
A Baixada Santista é notória por ser uma das regiões brasileiras mais vulneráveis aos efeitos da mudança do clima.
Santos se destaca por possuir o Plano Municipal de Ação Climática (PACS) pioneiro, tornando a cidade um polo estratégico para o desenvolvimento de metodologias replicáveis.
A criação do Clima LAB integra diretamente o Eixo 7 – Governança e Participação na Gestão Climática do PACS.
A constituição do Clima LAB como projeto conjunto com o poder público foi um processo longo e complexo, demandando negociações, ajustes institucionais e a superação de barreiras burocráticas e culturais.
A parceria com a Prefeitura de Santos (SEMAM/Seclima) foi fundamental para alinhar o projeto às prioridades institucionais do PACS e fortalecer a confiança entre Estado e sociedade civil.
A experiência revelou os desafios da inovação em contextos públicos — com fluxos mais lentos, prazos rígidos e demandas de coordenação — ressaltando a importância de financiamentos flexíveis e processos contínuos.
O Clima LAB demonstra que é possível aproximar o tempo da cidadania do tempo da política pública, inaugurando uma nova cultura de colaboração institucional.
As mentorias especializadas (A Cidade Democrática, Casa Fluminense, Coletivo 302) são fundamentais para conectar o trabalho local a experiências consolidadas e qualificar metodologicamente o processo.
Em um país onde menos de 5% dos municípios possuem Planos de Ação ou Adaptação Climática, a experiência de Santos reforça a urgência de metodologias que democratizem a implementação de políticas climáticas.
Principais desdobramentos / Caminhos futuros
Consolidação da Rede pelo Clima como Ecossistema Permanente, com calendário de encontros, formações e criação de núcleos temáticos autônomos.
Utilização da Casa Comum, em Brasília, como plataforma de debate e difusão contínua para amplificar os resultados da Rede para o cenário nacional.
Implementação e Monitoramento do Protótipo de Governança, articulado com a plataforma Brasil Participativo para ampliar alcance e consistência técnica.
Avaliação da incubação de ferramentas digitais de engajamento em sinergia com redes internacionais, como a People Powered.
Implementação e Expansão do projeto Energy as a Commons (Justiça Energética), com piloto de transição energética comunitária no entorno do Lab Procomum.
Ampliação Territorial e Replicação Metodológica do Clima LAB para outros municípios da Baixada Santista (Cubatão, São Vicente e Guarujá) e para outras regiões costeiras e metropolitanas do país.
Estabelecimento da participação cidadã como elemento central da agenda de adaptação climática das cidades brasileiras, especialmente as mais vulneráveis.
Posicionamento da Rede pelo Clima e do Clima LAB como instrumentos de aceleração de agendas, articulando sociedade civil, poder público e setor privado.
Mídia e documentos do laboratório
Em breve.
Realização